Por que comemos peixe na Sexta Feira Santa? A origem do costume

Você já percebeu que, quando chega a Sexta-Feira Santa, o cheiro de peixe invade as casas e os mercados? Essa tradição de evitar carne vermelha e optar pelo peixe vai muito além da escolha de um prato gostoso – ela está cheia de história e significado. Hoje, vamos mergulhar (sem trocadilhos 😅) nas origens desse costume, entender de vez por que comemos peixe na sexta feira santa.

1. O simbolismo do peixe no cristianismo primitivo

O peixe sempre teve um papel especial na história do cristianismo. Durante os primeiros séculos após Cristo, os cristãos usavam o peixe como um símbolo secreto de identificação, conhecido como “Ichthys”. A palavra Ichthys, em grego (ἰχθύς), é um acrônimo para “Iesous Christos Theou Yios Soter”, que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.

Além disso, o Novo Testamento traz várias passagens envolvendo peixes: Jesus alimentou multidões com pães e peixes (Mateus 14:13-21) e muitos de seus discípulos, como Pedro e André, eram pescadores. O peixe, portanto, tornou-se um símbolo de fé, humildade e vida simples, valores que dialogam com a prática de abstinência durante a Sexta-Feira Santa.

2. A abstinência de carne na tradição católica

O costume de evitar carne na Sexta-Feira Santa está ligado ao conceito de penitência e sacrifício no cristianismo. Esse dia é dedicado à lembrança da crucificação de Jesus Cristo, um momento de luto e reflexão.

Na Idade Média, a Igreja Católica oficializou a prática de jejum e abstinência de carne em determinadas datas, incluindo todas as sextas-feiras e, especialmente, a Sexta-Feira Santa. A carne vermelha era considerada um símbolo de riqueza, celebração e prazer. Ao evitá-la, os fiéis demonstravam humildade e respeito pela memória do sacrifício de Jesus.

O peixe, por outro lado, era visto como um alimento simples e aceito pela Igreja nesses períodos de abstinência. Por ser mais acessível em regiões costeiras, ele se tornou a escolha natural para substituir a carne vermelha.

Referência:

Confira um artigo detalhado sobre a prática de abstinência no cristianismo no site Catholic Online.

3. A influência cultural na disseminação do hábito

Com a expansão do cristianismo pela Europa, a tradição da abstinência de carne ganhou formas diferentes em cada região. Em Portugal, por exemplo, o bacalhau tornou-se o peixe preferido para a Sexta-Feira Santa, devido à sua durabilidade e facilidade de transporte nos tempos antigos.

No Brasil, essa tradição chegou junto com os colonizadores portugueses e foi enriquecida pela diversidade de peixes locais, como tilápia, tambaqui e robalo. Hoje, mesmo quem não segue a religião muitas vezes mantém o hábito de comer peixe nessa data, seja por tradição familiar ou por questões culturais.

Referência:

Saiba mais sobre a importância do bacalhau na história portuguesa. Leia mais.

4. O que diz a teologia sobre o costume?

Segundo teólogos e estudiosos, a prática de jejum e abstinência vai além do simples ato de evitar carne ou consumir peixe. Ela simboliza um momento de introspecção e conexão espiritual. O peixe, em particular, é escolhido não só por razões práticas, mas também por seu significado bíblico e por representar a simplicidade que os cristãos são chamados a adotar durante a Sexta-Feira Santa.

Referência:

Leia mais sobre o simbolismo do peixe no cristianismo. Leia aqui.

5. Curiosidades sobre o consumo de peixe na Sexta-Feira Santa

  • Nem todas as igrejas cristãs seguem essa tradição. Igrejas protestantes, por exemplo, geralmente não praticam o jejum ou a abstinência alimentar.
  • O costume de comer peixe está tão enraizado em algumas culturas que supermercados e feiras costumam ter um aumento significativo na venda de peixes durante a Semana Santa.

Referência:

Veja dados sobre o aumento de vendas de peixes na Semana Santa. Saiba mais.

Sugestão de Receita do blog:

Conclusão

Agora que você sabe por que comemos peixe na Sexta Feira Santa, dá pra perceber que essa tradição vai muito além do prato na mesa, né? É um encontro de história, cultura e fé que atravessa séculos e continua presente até hoje. E, claro, aqui no Monólogos do Arroz, sempre tem espaço para explorar essas histórias gostosas e significativas!

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